Minha pessoa preferida






Cheguei à casa e fui preparar o jantar, pasta à bolognesa, que já havia deixado pronto.
Vinho - uma única taça, que felizmente sobrou daquela garrafa que te manteve sóbria e memória viva, e fiquei feliz com estas poucas coisas que gosto tanto, desde sempre, e me pego pensando também em você, para sempre.

Minha comida preferida, minha pessoa preferida, pensei também em meu local preferido, lá do outro lado do planeta.

Hong Kong, o lugar mais perfeito do mundo.
O que faz deste lugar tão perfeito é justamente o conjunto de suas imperfeições, a dualidade existente em cada uma de suas vertentes.
É ali que o novo e o antigo se confundem, o ocidente e o oriente se tornam um meio único, a tradição milenar e o rompimento de paradigmas convergem para uma experiência ímpar. 

De repente, percebi o que nos define, aquela dúvida que sempre lhe confesso, "não consigo entender essa relação, esta sensação, tão forte quanto rápida, que me liga a você e me faz lhe querer tanto bem, ou tanto e bem". 

A explicação existe. 

Nós dois somos Hong Kong. 

Opostos e dispostos, nos reinventamos a cada minuto, tudo em perfeita harmonia, complementar, sem choques morais e culturais. 

E, quanto mais diferentes, mais iguais nos tornamos. 
Principalmente nos limites. 
Ou na falta deles. 

Profissional ou pessoal, espiritual ou carnal, austero ou pueril, tenho todos os sentimentos possíveis se confundindo em alguns momentos, mas devidamente separados nas expectativas, existindo apenas momento a momento. 

Já disse inúmeras vezes em pensamento, olhando em seus olhos - os mais lindos que já vi em minha extensa carreira como ser humano - que "é muito fácil amar você", quase todos que a cercam a amam, pelo menos os que não são cegos. 

Mas "te amar" e "gostar de você" ao mesmo tempo é apenas para os fortes, que continuam caminhando em sua direção mesmo depois de perceber que não há chão - passos no escuro. 

Hoje, mulher, eu amo você mais que ontem. 

Mesmo sem chão. 

Mas da próxima vez, lave o pé, Hong Kong!