abjeção

banido pela antropossofia
tendo como antro o crisol
como o prelado profano tem o aljube
o bizarro
com toda a sua bonhomia
pregando seu elóquio eloquente
espicaçando a airosa coquete dos seus sonhos
fautora indolente, insolente
intrépida conluiada da volúpia
vunzando o prisco mofumbal do amor
com uma sublevação quimérica e auspiciosa
obstou o arrôcho do bizarro taciturno
que ganhou assim o concernente túmulo

betsi

entrei no edifício e fui direto ao setor de publicidade.
como sempre, meu coração bateu mais forte ao passar pela recepção. ela nem me viu.
cumprimentei o cara da expedição. antes mesmo que eu pedisse, colocou a coleção de jornais sobre o balcão. já estava se acostumando comigo.
enquanto folheava os exemplares antigos a procura de matérias para meu arquivo, arriscava vez ou outra uma olhadela à recepção, através da imensa porta de vidro.
ela permanecia absorta em seu trabalho, até levantar os olhos e surpreender-me a admirá-la. e sorriu.
senti-me como um garoto travesso pego "com a mão na massa", mas foi o suficiente para que criasse coragem.
requisitei os exemplares necessários, paguei, e fui buscá-los no prédio em frente, do outro lado da rua, voltando depois para apanhar minha bolsa, que eu havia esquecido como pretexto para retornar.
ela estava só na recepção. peguei um dos folhetos de propaganda do curso de modelos que eu ministrava e estendi-o por sobre a mesa. ela sorriu e disse:

- gracias, mas eu já tenho. é a quarta vez que você me deixa este papelzinho.

nada mau, ela se lembrava de mim:

- e ainda não se animou a fazer o curso?

- talvez fosse interessante, mas não tenho tempo.

- no tempo damos um jeitinho, abro um horário diferente só pra você...

ela ficou me olhando, séria. pensei que iria me mandar embora, como já o fizera antes, ou perder a paciência, mas perguntou apenas:

- porquê eu?

era a deixa que eu precisava. expliquei-lhe então os meus motivos, o que fazia ali, num país que mal conhecia, sem tradição alguma no meu negócio. o curso para mim não era muito interessante financeiramente, a única finalidade do mesmo era descobrir novas modelos, um perfil diferente, mas "ela era a garota mais simpática e mais bonita e mais charmosa e interessante que eu conhecera naquele país e que ela tinha um jeitinho brasileiro e... "
parei e fitei-a. ela continuava me olhando, calada. por um momento fiquei surpreso, sem entender, esta tática sempre funcionava. não desanimei, retomei aquele ar conspirativo e tentei outras formas, insinuei que ela poderia, inclusive, fazer sucesso no brasil, mas ela continuou calada. apenas sorria. fiquei meio sem jeito, depois nervoso, e por fim me rendi:

- jantar sábado à noite? - perguntei baixinho

e ela continuou ali, calada e sorrindo. por um momento desisti, aceitando a derrota, mas quando me preparava para sair, ela levantou a mão e alcançou um bloco de notas. começou a rabiscar alguma coisa e notei que, como eu, era canhota.
ainda sem dizer nada, passou-me o pedaço de papel, onde estava escrito:

BETSI
DR WEISS 1098
FONO 205021

fiquei parado, fitando o papel em minha mão, sem acreditar.
foi ela quem rompeu o silêncio:

- 9 horas está bom?




***

- imagine se estou louca!

- é uma emergência, jackie! só por esta noite...

- pelo menos você tem carteira de habilitação?

- claro que tenho! - menti.

por fim ela me entregou as chaves. o problema da condução estava resolvido.
deixei jackie na casa dela, agradeci, e fui o mais rápido que pude para a pousada onde vivia.
convenci nelly, a proprietária, a me passar com esmero a calça nova de linho que nunca fora usada, emprestei um blaser branco do mirandinha, uma camisa de seda do hermán e 500 dólares do hugo.
me arrumei, usei a colônia importada de andrés e saí, sem entender porque todos me olhavam com aquelas caras azedas.
abasteci o carro no posto da esquina, passei num copetín para comprar cigarros e aproveitei para tomar uma dose de uísque. comprei também uma goma de mascar para disfarçar o uísque, mas precisei tomar outra dose pra tirar aquele gosto adocicado.
a lua estava quase cheia e, a despeito do intenso frio do final de outono, a noite era clara e agradável. seria um sábado maravilhoso.


***

era um apartamento pequeno e simples, mas muito aconchegante.
betsi já estava pronta. serviu-me um uísque, conversamos um pouco e saímos.

- tenho que te confessar uma coisa, bet. não conheço nenhum restaurante interessante, além do amstel. ainda não tive oportunidade de sair aqui.

- este está ótimo, mas não é o mais barato que conheço.

fomos assim mesmo. o mâitre escolheu uma mesa discreta, ao fundo, e acendeu as velas. depois de eleger a comida, nos descontraímos um pouco. ela realmente não precisava do curso de modelo ou de buenas costumbres. eu ficava mais encantado a cada minuto. e aos poucos fomos nos tornando mais confiantes, graças à empatia descoberta e ao champagne, naturalmente.

- da próxima vez vamos a um lugar menos formal, ¿que te parece?

- eu acho ótimo. e um alívio! - respondi.

- ahn?

- vou te confessar outra coisa: graças a esse jantar vou ter que passar uma semana comendo cachorro quente. e por este champagne terei que adiar minha visita ao brasil, que estava programada para a próxima sexta-feira.

ela me olhou com cara de espanto, mas logo caímos na gargalhada. depois voltou a ficar séria. me deu um beijo suave e disse:

- acho que terei que aprender a cozinhar...

- eu te ensino, sou ótimo cozinheiro.

- mesmo? e o que é que eu vou aprender?

- café solúvel, abrir enlatados, ovos cozidos e arroz - mas só aqueles de saquinho, semi-prontos.

- poxa, você é o melhor cozinheiro do mundo! é isso que ensina no curso?

fui fisgado. sem me queixar. dali seguimos para uma discoteca, onde dançamos um pouco, e passamos numa sorveteria, na quinta avenida. paramos em frente ao seu prédio e ela ficou em silêncio novamente. enquanto eu abria sua porta, perguntou-me:

- como você conhecia o amstel, se ainda não teve oportunidade de sair aqui?

- sou amigo do mâitre.

- não colou.

- brincadeira, a academia onde faço o curso fica ao lado. e é lá que realizamos as aulas práticas de etiqueta à mesa. mas durante o dia.

acompanhei-a até a entrada do edifício. ela perguntou:

- o que acha de conhecer a cozinha onde vai me ensinar?

- tenho que te confessar mais uma coisinha: estou me apaixonando por você.

- suas confissões me encantam!


***

a manhã estava bastante fria e totalmente encoberta pelo nevoeiro, mas não me incomodou. ao chegar em casa, encontrei jackie furiosa, me esperando do lado de fora. quase desmaiou de alívio ao ver-me.

- poxa, você está vivo! - disse, dando a volta por todo o carro. e completou:

- e meu carro está inteiro...

nem entrei em casa. saímos juntos para um café, mas não foi fácil encontrar um local aberto naquela fria manhã de domingo. por fim, vimos um copetín próximo à plaza de armas.
ao terminarmos o café, jackie se mandou, sua fúria retornando porque eu não tirava os olhos da corrida de fórmula um na tevê, enquanto ela me enchia de perguntas sobre a noite passada, sem obter respostas.

os dois brasileiros ficaram fora da prova e perdi o interesse. paguei a conta e sai do bar. o sol resolveu aparecer e voltei caminhando para a pousada, com o blaser do mirandinha no ombro, sobre a camisa de seda do hermán, o perfume agora vago da colônia do andrés, misturado ao de betsi. somente os dólares do hugo não voltaram comigo.
ao chegar, havia um recado telefônico:

" comprei os enlatados e o arroz. o uísque dá menos trabalho que café. creio que este vai ser o melhor jantar da minha vida. mas vem logo, a gente tem muita coisa pra preparar ... "

desliguei a secretária eletrônica, liguei o rádio bem baixinho, coloquei o despertador para as 15 horas e um "não perturbe" na maçaneta.
não demorei muito a entrar num sono profundo, dando razão a richard bach:

"nada de bom é milagre, nada de lindo é um sonho".

tudo depende da intensidade do seu desejo. e do seu empenho.
(1987)

a mente




estamos ingressando num veículo retroativo,
mas consciente e inevitavelmente.
é mister que descubramos
em que parte do caminho a rota foi desviada, pois,
com toda a segurança,
estou certo de que o ponto final está bem longe daqui.
em alguma parte do caminho nos extraviamos
e é preciso voltar, romper o tempo e,
consequentemente,
passar em branco todo o lapso da busca,
deixando de fazer história para tentar refazê-la,
do princípio até aqui.
ou até o fim da busca.
since the begining, como diria mel.

partimos rapidamente,
desesperadamente,
buscando a razão deste beco sem saídas
em que nos vemos agora.
paramos por fases,
passando por episódios já vividos,
alguns fisicamente,
outros apenas na mente.
mas todos verdadeiros,
como dizia mario quintana,

"a mentira é a verdade
que esqueceu de acontecer"


e como verdadeiros,
todos estes episódios
influíram diretamente
nos rumos de nossa viagem,
até o presente.
os reais e os idílicos.
tão completamente,
que não saberíamos dizer agora
onde terminam os primeiros e começam os outros.
o que na verdade não faria diferença alguma.

ou faria?

o sonho

17 de agosto, década de 80. são paulo, brasil.
era um dia, por alguma razão, bastante corrido. sempre fico excitado em dias movimentados. lembro-me que não havia toalha no banheiro da recepção e a governanta pediu-me para subir até o cassino e encontrar-me com ela lá, onde me daria uma.
poucas vezes estive no cassino do hotel e acho que foi isso que me deixou excitado. eu deveria bater na porta e aguardar, mas entrei direto. talvez encontrasse lá aquele amigo contrabandista que tinha algo a ver com o referido espaço. ele sempre tinha algo a ver com esse tipo de espaço. e ser amigo dele era uma questão de prestígio - eu pensava. acho que ao abrir a porta do 'living' repentinamente interrompi uma reunião importante, pois todas as pessoas em volta da grande mesa retangular, que não eram muitas, pararam de falar e ficaram olhando para mim. um garçon ou guarda-costas se aproximou com cara de desagrado polido e eu perguntei pela governanta, mas ela não havia estado lá. na saída encontrei repórteres e muitas pessoas que provavelmente estavam lá para ver alguém famoso, mas eu não vira ninguém famoso lá dentro. apareceram então duas crianças rodeadas por várias pessoas, que por sua vez foram rodeadas pelos que esperavam e começaram a ser fotografadas e filmadas e ovacionadas e eu tive a impressão de tratar-se de uma dupla infantil internacional que iria realizar alguns shows em são paulo. havia outra pessoa, já maior, que passou a se sobressair e monopolizar as atenções e deduzi que não se tratava da dupla internacional, mas sim de um trio paulista que cantava músicas infanto-juvenis. fiquei por ali e sentei-me numa cadeira com rodinhas e fiquei impulsionando-me para lá e para cá e logo depois fui imitado por outras pessoas. uma garota que eu conhecia da adolescência, no interior, vinha em minha direção com as pernas esticadas no ar e sua cadeira enroscou-se na minha e suas pernas ficaram esticadas sobre as minhas. alguém nos incitava do lado de fora e continuamos a girar assim e eu sentia um tremor por estar tão próximo daquela gatinha linda que não falava nada e ficava sorrindo olhando pra mim e percebi que ela também tremia, suas pernas em contato com as minhas, suas coxas sobre as minhas e isso me encorajou e continuei normalmente e com segurança. íamos de um lado para outro com a cadeira, quase trombando em vários pontos, numa tentativa de mostrar minha perícia como piloto de cadeiras. depois houve um desafio e todos começaram a sair em suas cadeiras e eu e a gatinha saimos juntos, ela sentada quase deitada no meu colo, escolhi não sei porque um caminho cheio de obstáculos, um corredor que estava com várias partes apenas na infra-estrutura, blocos de cimento com as artérias/arames expostos e nós conversávamos, não me lembro o quê, num jogo de paquera mas já conscientes - embora eu fosse inseguro, de que permaneceríamos juntos. quando saimos dali já estávamos de bicicleta e paramos numa "grossery" para comprar alguma coisa. ela foi pinçando vários objetos aqui e ali e depois perguntou, "é só assinar?", e assinou uma folha num caderno que o dono do local lhe estendeu e eu ficava só olhando pensando que tinha pouco 'trident' e não podia correr o risco de ficar com mau-hálito então pedi um, daqueles com embalagem preta e vermelha que não sei se existem, mas custava 2001 cruzados e isso me chocou. o dono me disse que faria em três vezes e aceitava cheques, mas polidamente eu disse que não tinha dinheiro suficiente e ficava para a próxima, lembrando-me de que era menor de idade e que nem tinha conta em banco e rindo-me por dentro do chiclé a prestação. minha amiga observava tudo e fiquei imaginando de onde ela tiraria aquele dinheiro todo, já que comprara muitas coisas sem nem olhar o preço mas eu senti que talvez eu é que estivesse novamente totalmente alienado e sem noção de valores, como acontecia sempre que eu passava uma temporada fora do país. ela foi buscar a bicicleta que estava a uns 50 mts no meio da quadra, estacionada, com crianças em volta e eu visualizei então com prazer e com algum receio como é que seria daí para a frente, mas o telefone me acordou e eu fiquei feliz pois acho que não quero outra decepção, nem mesmo em sonho...

o parque

caminhava à esmo, num local que a princípio lhe pareceu deserto, mas que gradativamente seus sentidos captaram ser cheio de vida, até que se deu conta tratar-se de um parque, não aqueles parques cheios de brinquedos e coisas elétricas e barulhentas, apenas um local de muito verde, uma "rest area" com alguns balanços e gangorras na grama, mais ao longe, voltados para um grande círculo de areia onde crianças caíam rindo, gritando de prazer, enquanto as mães assistiam indiferentes, ou sorriam, ou apenas folheavam uma revista.
havia uma minúscula lanchonete a cerca de 100 mts de onde se encontrava, ao lado do círculo de areia, com algumas mesas, todas desocupadas. dirigiu-se para lá.
ele não sabia como havia chegado até ali, apenas que andava sem direção, como de costume, mas nunca havia visto aquele parque antes, embora caminhasse sempre por aquela região.
ao passar pelas mesas, teve a impressão de ver algo ou alguém familiar. parou e voltou-se, forçando a mente, até identificar um sorriso que jamais imaginou rever.
ela vinha em sua direção. após um instante, que lhe pareceu longo, aproximou-se também.
ambos sorriram e ela fez menção de abraçá-lo. foi quando ele percebeu a barriguinha saliente da amiga.

era assim mesmo que se lembrava dela: os cabelos muito claros, lisos e escorridos, quase longos, o sorriso grande e espontâneo como os dentes que descobria, o rosto belo e harmonioso, o corpo invejável e bem proporcionado semi-oculto na saliência da gravidez.
a última vez que a vira - há quantos anos? - ela estava exatamente assim, como agora, como se houvesse estacionado, ignorado o tempo.

a princípio temeu uma aproximação informal, mas ela mostrou-se bastante espontânea e genuinamente feliz em vê-lo, encorajando-o. ele perguntou-lhe se aquela protuberância ainda era o resultado daquele espermatozóide perdido de anos atrás e ela riu, dizendo que alguns outros haviam se perdido - ou encontrado o caminho certo - desde então. viu então as crianças que a rodeavam e pensou que talvez ela fosse feliz afinal, apesar de achar que, na época, quando o deixou sozinho nos estados unidos, trazendo de volta uma barriguinha idêntica, ela estaria jogando sua vida pela janela.
não que achasse - conhecendo seu temperamento, que ela pudesse ser feliz e realizada com todas aquelas crianças ao redor, mas dando um desconto pelo fato de ele próprio não se sentir tão bem com toda a sua liberdade e solidão consequente.

lembrou-se novamente daquela última vez...
na verdade eles já não tinham tanto contato então, algum elo se rompera na tomada silenciosa de posições. ele já sabia que ela estava grávida e decidira casar-se com um antigo namorado, colega de escola de ambos, mesmo antes de desembarcar no brasil, e pensou que era a segunda vez que ela jogava os sonhos pela janela.

a primeira foi quando recusou-se a disputar o título, merecido, de princesa do colégio. o título ficou com a namorada dele de então. ele era o presidente do conselho de classes e namorava a garota mais cobiçada de todo o colégio. quando a amiga recusou o título, porém, começou a questionar, não sabia o porquê, se realmente namorava a melhor garota do colégio. e passou a ignorar, maltratar, agredir verbalmente a princesa eleita.
e pensava o tempo todo na amiga.

deixou a princesa. deixou o conselho de classes. e logo depois deixou também o colégio e o país, embarcando exatos dois dias após a amiga que recusara o título, e que estava agora à sua frente. olhou em volta, em direção à areia, tentando saber qual era a criança resultado daquele tempo distante, mas logo desistiu, sabendo que isso não teria a menor importância agora.

deu um abraço na amiga e afastou-se rapidamente, com seus medos e idéias hostis, antes que começasse a questionar quem havia perdido os sonhos realmente...

"ela não devia ter recusado aquele título", pensou, enquanto saía do parque rumo ao frio da manhã, com a inoportuna lembrança do "noturno", de menotti del picchia:

"fundir-se na sombra / negativo de si mesmo / talvez em outros / o eco dos frustrados sonhos..."

analogia

a peça é a vida.
o protagonista é, além de ator, autor do drama.
e o drama está justamente nessa separação,
autor/ator,
onde um começa, onde o outro termina.
o autor é essencialmente solitário. como todo autor.
ele vive da imaginação,
desenha a vida como lhe sugere a inspiração,
é uma pessoa de bastidor.
não vive. o ator é quem vive pelo primeiro.
ele protagoniza suas angústias,
suas emoções e vibrações,
suas vitórias ou derrotas.
o autor sonha. o ator vive tais idílios.
e nenhum dos dois consegue atingir uma existência plena, real.
nenhum dos dois é completamente nada.
tentam chegar o mais próximo possível,
mas nunca conseguem atingir o palpável.
porque o ator vive apenas o que o outro imaginou.
e o autor sabe que tudo não passa de uma farsa.
sua imaginação vai muito além de qualquer limite.
mas o ator tem suas limitações.
será que alguém consegue escapar do drama do protagonista?
ele, com certeza, não pode.
o ator que leva por dentro
nunca viverá situações extremas
como as sonhadas pelo autor.
ao menos não as identificará senão num futuro distante,
em forma de nostalgia.
só então poderá aceitar relações.
só então entenderá e respeitará
a admiração e aplausos do público.
até então, apenas gosta.
mas porquê não consegue identificar
o sentido de uma situação
quando esta se apresenta?
o autor responde que a culpa é da imaginação,
que voou muito longe novamente,
transformando qualquer situação real em insignificante.
o ator não é feliz.
e espera, desesperadamente, se sentir real.
real, normal, e com defeitos.
se o autor permitir.