- você é fantástica!
- ...
- ouviu o que eu disse?
- ouvi.
- e porque essa expressão, não foi bom p/ você?
- foi bom sim, foi ótimo. está sendo ótimo. mas agora me conta tudo...
- como assim, contar o quê?
- você é casado? pode falar, não ligo que mentiu p/ mim lá atrás, mas preciso saber.
- eu não menti!
- tá, então não é casado. deve pensão e é procurado pela polícia? bate em mulheres? tem outra na fila, vai me abandonar pela manhã? me conta, o que está errado?
- rs, você enlouqueceu... de onde tirou essas idéias?
- você já conseguiu o que queria, pode falar...
- não tem nada pra falar. não te entendo, está tudo tão perfeito e você querendo estragar.
- este é o problema! você sabe conversar, sabe comer, sabe escolher um bom vinho, dizer que é inteligente seria redundância, e ainda por cima faz amor comigo, não sexo... não acredito em papai noel, alguma coisa errada tem p/ você estar solto por aí.
- não tem nada de errado, só não tinha te encontrado antes, só isso.
- não acredito em você.
- e porque não acreditaria? eu fiz ou disse alguma coisa errada? se fiz, foi involuntário, fui espontâneo com você.
- cara, não é possível, vou enlouquecer. a gente se conhece online, você me seduz com todas aquelas palavras, sem nunca me desrespeitar; nunca perguntou minha aparência...
- você é linda!
- eu sei, mas não é por isso que você veio, você não sabia. e eu precisei te cantar (até achei que podia ser gay...); você pega um avião, vem p/ cá, descobre todos os meus pontos fracos, me leva à loucura, faz tudo o que sempre sonhei sem perguntar... não pode ser verdade.
- você é linda por dentro e por fora, e eu não tenho nada de especial. porquê esta auto-estima tão baixa?
- não pode ser verdade. onde você estava ontem? e onde estará amanhã? em que cama?
- estarei aqui mesmo. enquanto você me quiser.
- ainda acho que tem coisa errada.
- não tem.
- então casa comigo?
(jul, 96)